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quarta-feira, 7 de maio de 2008

Planificação e outras actividades




No que toca a planificação das actividades, esta é cuidada e incide em variados pontos, o que sugere ainda mais a constatação que já tínhamos feito de que há uma grande preocupação na variedade de propostas. Em jeito de avaliação, uma fase muito importante para perceber o que está bem e o que precisa ser alterado, cada sector é convidado a dar a sua opinião sobre tudo o que envolve a biblioteca.
Através de um tema escolhido anualmente, segue-se um fio condutor que irá ditar as actividades de cada ano. Esta escolha permite que todos os colaboradores orientem os seus esforços nesse sentido, sendo que todo o orçamento direccionado para a biblioteca é muito bem distribuído entre actividades, actualização documental (aquisição de livros científicos, best sellers, sugestões dos leitores e uma selecção da chefia e técnicas de biblioteca), actividades esporádicas conforme os acontecimentos actuais, exposições e actividades exteriores ao espaço da biblioteca, algumas elaboradas pelos seus colaboradores, outras contratadas especificamente para uma acção pontual.
Entre todas estas dinâmicas, salientam-se outras onde a biblioteca sai do seu espaço para o exterior, como o Bibliodomus, em que a biblioteca vai levar livros a casa de quem não se pode dirigir ao espaço, Estação do Livro, actividade realizada nas escolas ou Circulo de Culturas, uma comunidade de leitores que se reúne para discutir uma obra.
Para todas elas é necessário uma grande gestão de base, como forma de orientar orçamentos que proporcionem a finalização de todas as actividades programadas.
“A biblioteca está em constante mutação para servir o utilizador”, assegura Cláudia Brites.

Financiamento do espaço e suas limitações



Com o financiamento da biblioteca a cabo do Ministério da Cultura e da autarquia do Seixal, coube aos responsáveis as opções no espaço ao nível do material e da estrutura seleccionados. Existiu, por exemplo, a possibilidade de adquirir materiais, como cadeiras e mesas, de permanência, confortáveis, provavelmente mais dispendiosas, mas que permanecem desde a inauguração do espaço.

As lacunas mais visíveis quanto ao equipamento prendem-se com a acessibilidade. Não existe grandemente uma política para pessoas com mobilidade reduzida, confessa a orientadora da visita. Há a possibilidade de utilizarem o elevador de serviço, mas esta é apenas uma solução alternativa utilizada para colmatar a falha existente. Quanto ao plano de emergência “deixa muito a desejar”. Há um objectivo para de futuro alterar as lacunas, mas estas prendem-se com o facto de não haver ainda uma obrigatoriedade quanto à sua legislação.
Num espaço por onde passam muitas pessoas por dia, é necessário considerar todos estes pormenores. Por um lado, pensar no material percebendo o seu uso constante, a necessidade de trazer conforto aos utilizadores, a preocupação de, tal como acontece ao nível do conteúdo, também no que toca ao espaço em si, as pessoas não se sintam deslocadas ou esquecidas.

Espaços para adultos




Para os utilizadores adultos, as propostas também são variadas. Existe um sector audiovisual, um espaço de leitura com Internet wireless, um local onde são postos à disposição diversos periódicos e uma sala para trabalhos de grupo, onde se pode fazer mais algum barulho do que o esperado habitualmente numa biblioteca.

Tal como já acontecia nos espaços dedicados às crianças, o objectivo da biblioteca é proporcionar uma variedade de utilizações que ultrapassam o empréstimo de livros. É uma constante actividade e a tentativa de chegar mais próximo a uma grande diversidade de utilizadores. Reflectindo estas preocupações, é possível constatar que a biblioteca do Seixal está no caminho do que se espera ser um espaço abrangente e com soluções diversificadas, propósito que deveria ser perseguido por todos os espaços com estas características.

A Biblioteca não é só feita de silêncios...

Papel de Educadores - Espaços para Crianças





Ainda retomando as responsabilidades de serem um actor fundamental na educação de muitas crianças desde tenra idade, é na percepção dessa necessidade que existe um espaço para os mais pequenos, que engloba a Bébéteca e a Ludoteca. Aqui, apesar de muitos dos seus utilizadores ainda não saberem ler, há um incentivo à leitura desde tenra idade: “Não é só com livros que se incentiva ao livro”. Entre ateliers, jogos e um sítio para se vestirem com máscaras, há também um espaço de leitura, parte integrante da biblioteca, mas dedicada à população júnior. Aqui, além dos livros, é possível utilizar a playstation, um dos momentos mais esperados pelas crianças.

Apesar de poder gerar alguma polémica, pelo facto das crianças se dirigirem à biblioteca sem o intuito imediato da leitura, Catarina … refere que “a biblioteca tem de estar na vanguarda das novidades. Como só podem estar uma hora a jogar e há uma marcação, acabam por aproveitar o resto do que a biblioteca tem para oferecer”.

Para estas idades, existe ainda um espaço para o estudo, outro de teatro onde se apresentam alguns contos em forma de peça e o museu do conto, onde se materializa um pouco o que são as histórias. Todos estes espaços demarcados na biblioteca têm um objectivo: “a ideia é descomplicar. À medida que uma pessoa vai crescendo percebe que a biblioteca lhes proporciona diferentes áreas”.

Outros serviços



Conhecedores do seu papel educador por excelência, os colaboradores da biblioteca do Seixal organizam diversas actividades e têm à disposição dos utilizadores vários serviços que extrapolam em muito o edifício da biblioteca e os livros que encerra.

A informação à comunidade, onde as pessoas se podem dirigir para obter respostas e fazer uma pesquisa sobre aquilo que procuram, pedidos de empréstimos e serviços de novas tecnologias de informação são alguns deles, pensados para permitir uma enorme variedade de finalidades e o interesse dos visitantes. Se estes serviços são já existentes em muitas bibliotecas pelo nosso país, também é verdade que muitas delas, algumas contemplando ainda um maior número de utilizadores, restringem as suas funções apenas à consulta de obras.

Espaço da Biblioteca





Na segunda parte da nossa visita foi possível conhecermos de perto as actividades da biblioteca municipal do Seixal, no mesmo espaço do fórum cultural. Pensado de base para abarcar uma biblioteca, o edifício abre-se numa diversidade de possibilidades, envolvendo as pessoas que para aqui se dirigem para os mais variados fins. A arquitectura, a calçada portuguesa no chão, as janelas que se abrem até vermos o rio, “abraçam” os visitantes para que estes “não tenham medo da biblioteca!”, diz Cláudia Brites.

No átrio, o espaço amplo é ideal para exposições, que acontecem muitas vezes. Algumas são direccionadas para temas de literatura, obras ou assuntos relacionados com a biblioteca, outras são resultado de parcerias com outras entidades que ali expõem os seus trabalhos. Deste modo, o contacto da biblioteca com a comunidade que abrange não é estanque, fornecendo também aos seus funcionários as tarefas necessárias para que esse contacto se estabeleça.

Autarquia - Responsabilidade na Cultura



Além disso, os colaboradores da DAC têm consciente a questão de, ligados a uma autarquia específica, terem responsabilidades acrescidas no que toca a divulgação da cultura de uma determinada região. “A vocação da câmara é formar, educar públicos, criar hábitos culturais”, reconhece Nuno Torrado. Entre as actividades para criar públicos, encontram-se mostras de teatro nas escolas, sessões de jazz, actividades para seniores e de acção social, muitas vezes em associação ao departamento de educação e de acção social, já que, entre serviços da mesma autarquia, existe um contacto e colaboração permanente.
Estes encargos podem, por um lado, fornecer uma grande abrangência naquilo que se torna possível fazer, mas também limitam algumas vontades e experiências que os colaboradores poderiam estar dispostos a fazer caso não estivessem comprometidos com estas circunstâncias. No final, as limitações parecem ter resultados positivos: “Primamos por oferecer cultura de qualidade”, confirma o nosso orientador.
Apesar das restrições que foram referidas, é notório para a nossa análise que trabalhar numa autarquia permite uma grande quantidade de experiências e possibilidades de produção de actividades e materiais, possibilidades que se tornam mais reduzidas em entidades de menor dimensão e peso na vida social.

Equipa


Tendo que dar resposta em todas estas frentes de acção, torna-se necessário que a equipa da DAC seja constituída por um número alargado de pessoas. É o que acontece, com mais de trinta pessoas no activo que trabalham exclusivamente na divisão cultural, embora o sector da divulgação propriamente dito seja constituído por apenas duas pessoas.



Muitas vezes, como acontece em outros casos já analisados, acabam por diluir-se funções e todos fazem um pouco de tudo, quando o trabalho e a urgência assim o exigem. Entre as diferentes pessoas existem três animadores sócio-culturais, uma pessoa com formação em Belas Artes, responsável pelas exposições, no auditório, alguém que já trabalhou em teatros, um músico no que toca a animação exterior e um actor, responsável pelo teatro.

Apoios da DAC

Além dos materiais gráficos, a Divisão de Acção Cultural tem ao seu encargo diversas iniciativas de continuidade, como o Março Jovem, o Seixal Jazz, a Bienal das Medalhas ou as Festas de São Pedro. Estas implicam uma envolvência ainda maior devido à sua projecção e à necessidade de orientar todos os esforços em actividades que envolvem outros sectores e outras entidades.
É também neste âmbito que a DAC orienta normas de apoio ao movimento associativo do Seixal, através da ajuda às actividades propostas pelas colectividades, fornecimento de espaços e equipamentos, apoio em alguns projectos pontuais, agendamento de espectáculos e apresentações, etc. Englobando todas estas funções, é da responsabilidade da DAC grande parte do que acontece no Seixal ao nível dos tempos livres, actividades fora do âmbito escolar e de trabalho dos seus habitantes.

Tendo essa responsabilidade, cabe a este sector ter especial atenção para que todas as propostas sejam estudadas, todos os projectos tenham visibilidade, todas as organizações possam ser ouvidas, dentro de um espírito de “bom-senso”, como refere Nuno Torrado. Ao nível de um promotor que trabalhasse nesta área, esperar-se-ia uma grande capacidade de organização, além de um conhecimento alargado das actividades e colectividades que fazem parte da vivência do Seixal.

Comunicação


Os meios de divulgação utilizados para promover e comunicar as diferentes actividades organizadas pela DAC são essencialmente da própria responsabilidade desta divisão, que elabora o seu conteúdo. É o caso do Boletim Municipal (distribuído nas caixas do correio, no barco e em locais públicos), a Agenda Municipal e a Agenda Cultural, inserida na anterior, mas a cores e com maiores custos de produção.
Além disso, produzem também uma centena de mupis para uma rede detida pela autarquia, o programa do Auditório Municipal, folhetos e cartazes para a divulgação dos eventos, dependendo do evento de que se trata, muitas vezes sites próprios, e, pontualmente, acções na imprensa. Devido a todas estas necessidades, a equipa de multimédia e do sector gráfico estão sempre presentes nas reuniões de preparação das actividades. Em conjunto com quem organiza elaboram ideias, revêem conceitos, pensam na melhor forma de promover as diferentes acções. Estar por dentro dos assuntos, vê-los crescer e saber a forma como foram pensados, permite ao promotor estar mais à-vontade no seu papel e perceber melhor de que forma pode passar para os materiais tudo aquilo que conseguiu recolher. No final de tudo escolhido e produzido, mais uma função se espera da DAC: a distribuição e decisão das quantidades a serem produzidas e distribuídas.

Publicações



Segundo Nuno Torrado, o sector de acção cultural do Seixal foi um dos pioneiros do país a organizar uma publicação referente a actividades culturais e desportivas, tendo-se iniciado desde a inauguração do Fórum Cultural, em 1993.

Responsável directamente por todos os materiais gráficos dos eventos e actividades culturais e da biblioteca, muitas vezes as suas funções extrapolam para a produção de outros materiais necessários para a autarquia, já que, no espaço onde funciona a divisão, é possível produzir praticamente todos os panfletos, painéis e outros documentos que necessitem. Esta versatilidade permite a produção de uma grande quantidade de resultados com a utilização de menos fundos e aproveitando os meios existentes até à exaustão. Nem todas as instituições têm essa possibilidade, e neste caso, a capacidade de produção autónoma reflecte-se não só na qualidade, mas também na variedade de materiais daí resultantes.

Como ensinamento para promotores, este é um factor a ter em consideração. Por um lado, a necessidade de utilizar os equipamentos disponíveis ao alcance, por outro, a possibilidade de organização e de orçamentação para que se considere a prioridade de obter estes equipamentos para que essa autonomia seja praticável, obtendo-se assim resultados mais rentáveis, com menos custos.

DAC - Serviços e Financiamento


Responsável por todas as actividades culturais que acontecem nos equipamentos municipais do Seixal (Auditório, Cinema São Vicente, Galerias Municipais) e, de uma forma mais alargada, pelas actividades que acontecem também no exterior e em outros espaços do município, a Divisão de Acção Cultural (DAC) engloba uma grande variedade de funções que passam maioritariamente pela organização, planeamento e produção de conteúdos relativos a todas estes projectos englobados pela cultura e animação do Seixal. Envolvendo sectores tão distintos como as exposições, animações exteriores, divulgação, teatro, música e acções de juventude, as actividades são planeadas anualmente, através de um plano de orçamento que abrange as acções que serão levadas a cabo e todo os custos que acarretam, desde a contratação de artistas, à produção de materiais.

Custeados maioritariamente pela autarquia, muitos destes projectos recebem outros contributos, através de patrocínios que, embora requisitados para uma acção em específico, são muitas vezes donativos que revertem para todo o orçamento da Câmara Municipal. Para reverter esta situação, alguns destes patrocínios acabam muitas vezes por ser em géneros, com o pagamento do cachet do artista ou a doação de materiais específicos para o evento. Através deste processo, o sector de acção cultural acaba por ficar dependente do orçamento da autarquia que, dependendo das necessidades mais prementes, pode ou não fornecer o orçamento necessário para os projectos do sector. Esta realidade é encontrada na maioria das instituições ligadas às autarquias, sendo uma limitação com que os técnicos e responsáveis já estão habituados a lidar. Este é um factor a ter em conta quando se lida directamente com as autarquias, quer seja através de uma instituição do seu interior, que se trate de uma empresa que esteja a fornecer um serviço do exterior.

Contexto e Actividade


Inaugurado em 1993, o Fórum Cultural do Seixal engloba a Biblioteca Municipal do Seixal, a Galeria Municipal Augusto Cabrita e o Auditório Municipal do Seixal. É também nestas instalações que se encontram os serviços da Divisão de Acção Cultural da Câmara Municipal do Seixal, responsável pelas actividades relacionadas com a cultura deste município.
A nossa visita direccionou-se para conhecer o funcionamento e instalações das duas partes mais significativas relativamente ao nosso curso. Por um lado, a Divisão de Acção Cultural e, por outro, a biblioteca municipal do Seixal.
Na primeira parte fomos recebidos por Nuno Torrado, um dos colaboradores do sector de Divulgação da Divisão de Acção Cultural, na Biblioteca, por uma das técnicas, Cláudia Brites.

Curiosidade

A Biblioteca do Seixal apoia muitos projectos das escolas do município. Recebeu agora um quadro feito pela escola vencedora que reinventou um quadro de Picasso como forma de levar a Arte aos alunos seixalenses.

Seixal é notícia!

"Exposição homenageia na Biblioteca do Seixal - Homenageia Adriano Correia de Oliveira

De 15 de Abril a 3 de Maio, a Biblioteca Municipal do Seixal exibe a exposição de homenagem a Adriano Correia de Oliveira (1942-1982), intitulada "Adriano Sempre!", que dá a conhecer a personalidade, a história e a obra musical de um dos mais importantes cantores portugueses da história recente.
A exposição nasceu como forma de homenagem de um grupo de amigos e admiradores de Adriano Correia de Oliveira, por ocasião do 65.º aniversário do seu nascimento, e tem percorrido o país, levando às gerações mais novas a vida daquele que foi um dos renovadores da canção de Coimbra e um lutador incansável contra a injustiça social.No espaço da Biblioteca estará também disponível o álbum de homenagem "Adriano Sempre - Tributo dos Amigos", com temas interpretados por músicos de diversas gerações e áreas musicais, gravado em 2007.Adriano Correia de Oliveira estudou Direito em Coimbra, tendo sempre participado activamente na vida cultural da Universidade. Cantou no Orfeão Académico, fez teatro e rapidamente despertou para o fado. A "Trova do Vento que Passa", com poema de Manuel Alegre, foi o hino do movimento estudantil na década de 60. Morreu em Avintes, Vila Nova de Gaia, a 16 de Maio de 1982."

in http://entretejoesado.blogs.sapo.pt/

O que já sabíamos

Links:

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Câmara Municipal (dados)

Localização - Seixal