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quarta-feira, 21 de maio de 2008

Trabalho facilitado


Estas características transformam este museu num espaço único, percebendo-se que os fundos fornecidos para orientar a disposição e divulgação do espaço extravasam em muito os que muitos outros museus têm ao seu dispor. O trabalho dos colaboradores torna-se assim mais facilitado, já que, com a possibilidade de pôr em prática as ideias, basta tê-las.
Entre as salas que não vimos, situa-se um espaço para actividades pedagógicas, outro para formação dos colaboradores, espaço de Internet e arquivo digital, que podem ser consultados se requeridos com antecedência, embora não estejam ao alcance de todos os visitantes.
Com uma pessoa responsável pela divulgação do museu e cinco direccionadas para o Serviço de Educação e Animação Cultural, todas com formação na área da museologia e educação em museus quer académica quer através de formações, Helena Miranda defende que a principais formações necessárias para trabalhar nesta área são três: conhecimentos de museologia, saber aprofundado sobre os conteúdos de que se vai falar e instrução ao nível da pedagogia. A técnica considera que há muita oferta no que toca a museus e que cada um deve aprender com os outros e procurar não perder a sua identidade, salientando-a.
Nesta visita tivemos a possibilidade de conhecer todo um processo de como se deve pensar e organizar visitas tendo em conta os diferentes públicos, diferenciando o que é assimilado e transmitido. Pela sua característica distinta, considero que esta acabou por produzir uma grande aprendizagem a este nível, porque orientou os alunos na importância de estarmos alertas e conscientes, nunca descurando uma informação e aprendizagem constante. Tão importante como aquilo que se diz, é a forma como se diz, o que poderá fazer toda a diferença.

Quebra-Cabeças?

Envolver os mais novos


Em toda a exposição se denota a preocupação em envolver os visitantes, não apenas fornecendo dados informativos, mas também com o intuito de que se transformem em participantes directos naquilo que vai sendo explicado. As visitas vão dando elas próprias informação que acrescenta e diversifica a visita, criando a interacção desejada.
Para os mais novos, esta preocupação também não foi descurada. Utilizando as mesmas tecnologias, as crianças são postas à prova através de jogos interactivos que podem experimentar numa das paredes do espaço expositivo, aprofundando conceitos que têm que ver com a temática do palácio de São Bento enquanto o interesse pelos entretenimentos multimédia, que envolvem ecrãs e computadores, são explorados para que também estas idades “cheguem ao conhecimento”.
A visita finaliza com uma visita virtual ao Palácio de São Bento, a “cereja no topo do bolo”, com direito a óculos para ver a três dimensões. Mais uma vez, as tecnologias são colocadas ao dispor do museu para atingir os propósitos de fazer compreender todos os conceitos que envolvem a temática da Presidência da República.

Acessibilidades




Também com a intenção de envolver o maior número possível de pessoas, e com o cuidado de chegar aos visitantes de características muito distintas, estão expostas no museu algumas esculturas dos presidentes. Com a possibilidade de tocar nas peças e estudar as suas características, este é um espaço claramente pensado para pessoas invisuais, acrescentando um elemento congregador em relação a um tema que pode ser de alguma forma difícil de tratar.
Também para envolver pessoas com dificuldades de audição, para além de serem utilizados por todos os outros visitantes, os grandes livros tácteis da empresa Ydreams, estritamente portuguesa e pioneira neste tipo de produtos, dão um toque de magia e permitem um envolvimento de pessoas com diferentes características e idades.

A tecnologia aliada à arte





Em todo o Museu da Presidência denota-se a importância da tecnologia e da utilização dos melhores materiais e equipamentos para a apresentação dos assuntos retratados. Tratando-se de um tema com a importância que este tem, que se referem à identidade de um país e à figura central que é um Presidente da República, percebe-se que não se olha a meios para que todos os aspectos sejam salientados e demonstrados da melhor forma possível, acrescentando a este o facto de serem muitas vezes utilizadas tecnologias portuguesas, chamando a atenção para o que de melhor tem o país.

É o caso dos vidros que tapam os quadros que retratam os diferentes presidentes ao longo dos tempos. Primeiramente vistos como uma barreira para criar algum afastamento de segurança em relação aos retratos, percebe-se também que vão escurecendo e passam a funcionar como ecrãs que contextualizam as histórias dos presidentes. Além disso, refere-se também os nomes dos artistas, pintores dos retratos, sendo possível passar também por questões estilísticas, culturais, até mesmo de História de Arte e da importância de um retrato.

Aspectos como as cores utilizadas, os retratos psicológicos, os estilos próprios dos artistas, a forma como as diferentes figuras políticas querem ficar reconhecidas para a posteridade, tudo pode ser esmiuçado e esclarecido, tendo particular atenção para o facto de ser necessário que todas as expressões utilizadas sejam do entendimento comum de todos os visitantes que acompanham o grupo.

Simbologia e Identidade




Carregado de símbolos, o museu começa com um relógio que marca as duas horas da tarde, a hora da revolução republicana, apresentando logo de seguida aqueles que consideramos os mais representativos símbolos nacionais, a bandeira e o hino portugueses.

Conscientes do carácter educativo do espaço, característica abrangente de todos os museus, mas que, neste caso, implica uma identidade nacional com que os portugueses se identificam, o Museu da Presidência organiza toda a visita mediante o público que se apresenta na frente dos técnicos. Mais do que em qualquer outro dos espaços que visitámos, esta consideração é notória e apresenta condicionantes muito interessantes, que foram por diversas vezes salientadas pela orientadora da nossa visita, que afirmou: “O museu pode ser explorado de muitas maneiras, pode-se abordar de diferentes formas, na história, na identidade, etc.”. Helena Miranda fez questão de nos ir explicando, durante toda a visita, como esta poderia ser organizada caso o grupo visitante fosse constituído por crianças, por adultos mais idosos, por desconhecedores de toda a história portuguesa, etc., o que nos possibilitou um entendimento mais profundo sobre a própria forma de constituirmos um processo semelhante, como promotores de um espaço similar. “Pode-se ensinar tudo a todos desde que se saiba decompor os conteúdos”, assegura.

Tomemos como exemplo as balas que aparecem numa das primeiras vitrinas do museu. Em frente a elas, pode-se explorar o seu valor monetário, o simbolismo do que representam, a razão de terem sido seleccionadas para iniciar uma exposição com estas características. Não sobrecarregar os grupos de informação mas também não ficar pelo que já é conhecido antes de entrar no espaço do museu, é um equilíbrio necessário a quem orienta e planeia este tipo de visitas.

Além da identidade com os objectos portugueses, é também possível estabelecer contactos com as pessoas de outras nacionalidades e comunidades, através das ofertas de outros países, peças trazidas das ex-colónias portuguesas, imagens de acontecimentos históricos recentes, que muitos dos visitantes chegaram a vivenciar.

Helena Mendonça chama a atenção para o facto dos acompanhantes das visitas terem a obrigatoriedade de estar atentos ao seu público, para além de um conhecimento exemplar sobre os conteúdos que apresentam.

Contexto



Aberto a 5 de Outubro de 2004, o Museu da Presidência existe para dar aos cidadãos um conhecimento mais próximo do que é a Presidência da República. Dá também a conhecer o património do palácio de Belém, através da mostra de peças oferecidas aos presidentes, objectos pessoais e outros objectos relacionados com a figura do Presidente da República. A acompanhar-nos tivemos Helena Miranda, uma das responsáveis do Serviço de Educação e Animação Cultural do museu.
“É um projecto muito recente e existe para quê? Para incentivar os cidadãos e os jovens, em particular a um conhecimento mais próximo do que é a presidência da república através da vida, da actividade, da obra dos diferentes Chefes de Estado que tivemos desde 1910 até ao presente. O museu também contribui para a pedagogia cívica e para dar a conhecer, partilhar, valorizar o património associado ao Palácio de Belém e, esse património é muito vasto, estamos a falar de um espaço que existe desde meados do século XVI e que regista na sua fisionomia e no seu acervo o contributo das várias gerações, dos vários períodos pelos quais foi passando.”
Helena Miranda

O Museu foi notícia!

"O Museu da Presidência da República foi distinguido com o Prémio do Património Cultural da União Europeia/Europa Nostra 2008, pelo trabalho de investigação sobre o património material e imaterial do Palácio de Belém, que permitiu a concepção e produção da exposição e do catálogo “Do Palácio de Belém”.
A cerimónia de atribuição do galardão vai ter lugar no próximo dia 12 de Junho na Catedral de Durham, no Reino Unido, e será presidida pela Infanta D. Pilar de Borbón, Presidente da “Europa Nostra” e pela Directora-Geral de Educação e Cultura da Comissão Europeia, Odile Quintin. O prémio será recebido pelo Dr. Diogo Gaspar, director do Museu da Presidência da República.
O Prémio Europa Nostra (segundo os organizadores) foi atribuído ao Museu pela “qualidade excepcional do projecto de investigação, e pela sua contribuição inestimável para a salvaguarda do património cultural na Europa”.
Trata-se do segundo prémio (depois do Prémio José de Figueiredo 2006, da Academia Nacional de Belas-Artes) concedido ao projecto de investigação desenvolvido entre 2003 e 2005, que se concretizou com produção da exposição “Do Palácio de Belém” (patente ao público entre Outubro de 2005 e Fevereiro de 2006) e com um conjunto de sete separatas e um catálogo. Estas obras tiveram como propósito contribuir para o estudo da actual residência oficial do Presidente da República, disponibilizando informação sobre o seu património móvel, imóvel e imaterial, que se manteve desconhecido durante muitos anos.
Neste trabalho, coordenado pelo Director do Museu da Presidência da República, Dr. Diogo Gaspar, colaboraram reputados especialistas em diversas áreas da História de Arte: estuques; iconografia; pintura; escultura; porcelana; ourivesaria; mobiliário. Foi traçada a evolução desde o papel de quinta de veraneio desempenhado durante a monarquia, até à actualidade, quando o Palácio de Belém passou a adquirir um importante protagonismo político depois de se tornar residência oficial do Chefe de Estado.
As sete separatas, complementares ao catálogo, permitem leituras segmentadas sobre as colecções do Palácio de Belém, que surgem agrupadas da seguinte forma: “Ourivesaria e porcelana”; “Azulejaria, tectos e estuques”; “Arquitectura”; “Jardins e escultura”; “Vivências, sítio e iconografia de Belém”; “Pintura e mobiliário”; “Picadeiro de Belém”.

(Fonte: Serviço de Comunicação do Museu da Presidência da República)"

O que já sabíamos

Links:

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