Neste âmbito, a função de um promotor artístico e de património seria mais “um par de mãos”, provavelmente com outros conhecimentos que poderiam potenciar as novidades e planos que o museu já detém. Denota-se, de uma forma geral, que através de uma planificação cuidada e da tentativa de aproveitar ao máximo os meios que se tem, é possível fazer uma diversidade de actividades e projectos, mesmo com uma equipa ou orçamento reduzidos.
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quarta-feira, 23 de abril de 2008
Futuro
Neste âmbito, a função de um promotor artístico e de património seria mais “um par de mãos”, provavelmente com outros conhecimentos que poderiam potenciar as novidades e planos que o museu já detém. Denota-se, de uma forma geral, que através de uma planificação cuidada e da tentativa de aproveitar ao máximo os meios que se tem, é possível fazer uma diversidade de actividades e projectos, mesmo com uma equipa ou orçamento reduzidos.
Planificação e Financiamento


Quanto à planificação do museu, as exposições e agenda do ano seguinte começam a ser preparados sempre em Setembro anterior. O plano, já acrescido de orçamento e um esquema o mais próximo possível da realidade, é enviado à autarquia para que seja incluído no orçamento municipal, o principal financiador do museu. Além das organizadas pelo espaço, também é possível que recebam exposições de outras instituições e eventos pontuais, como foi o caso da recepção das comemorações do 10 de Junho, em 2007, onde se aproveitou a injecção de fundos para fazer algumas remodelações que, sem essa possibilidade, teriam de ficar para mais tarde.
Todos os meses é elaborado um relatório de visitantes, não apenas quantitativo mas também qualitativo, na medida em que lhes importa saber qual o tipo de público que visita o espaço. Na sua maioria, são alunos do primeiro e segundo ciclos de estudos, além de visitas de adultos organizados. Fazem-no recorrendo a fichas de marcação de visitas e fichas estatísticas do serviço educativo, que usam para “espicaçar, para fazer notar a importância do que fazemos, apresentar projectos, ser inovador, procurar qualidade, avaliar…”. Tudo qualidades que o responsável considera que alguém que trata da promoção de um espaço como este deve contemplar e ter em conta.
Serviço Educativo e Centro de Documentação
Também na retaguarda, mas com trabalho muito visível, encontra-se o Serviço Educativo do Museu. O orientador da nossa visita refere que há uma grande preocupação em elaborar actividades que interessem a todas as idades, sendo da responsabilidade do museu proceder a uma educação não formal de crianças, jovens e adultos. Constata-se que, cada vez mais, os visitantes dos museus se interessam por visitas culturais estruturadas, em que haja uma preocupação evidente com aquilo que se ensina e com o que se vai ver. Na divulgação e promoção do museu, este é um aspecto também importante a ter em conta, na medida em que o que se promove deva ter impacto num número muito alargado de pessoas e interesses.
Daí que o Museu do Trabalho se preocupe não só com o que mostra no seu espaço, entre quatro paredes, mas também com o que pode acrescentar à comunidade, através dos conhecimentos e materiais que o museu detém. Outros serviços, como a constituição de maletas pedagógicas, emprestadas às escolas para que façam elas próprias a aprendizagem dos seus alunos, o apoio a projectos de vários tipos, através da preparação de visitas, ateliers, etc., actividades como gincanas culturais, são diversos projectos que extrapolam as paredes do museu, mas que os seus responsáveis ainda consideram como suas funções. Este ano o museu está direccionado para viver as multiculturalidades existentes em Setúbal, através da organização de tardes mensais interculturais, onde há uma partilha entre o que o museu tem para oferecer e a comunidade que dá também a conhecer a sua cultura e os seus saberes. “Importa ir ao encontro dos públicos”, refere Luís Catalão.
Além disso, o Centro de Documentação, devidamente catalogado com revistas e livros sobre os temas de que o museu trata de uma forma geral, permite dar apoio a investigadores que, muitas vezes, recorrem ao espólio do museu, tendo havido já diversos estudos elaborados tendo por base esta documentação.
No Serviço Educativo do museu, numa pequena sala cheia de bonecos, cenários e materiais, trabalham quatro pessoas: um animador sócio-cultural, duas educadoras e uma técnica de património. Estas pessoas fazem um pouco de tudo, quer montar histórias ou exposições, como construir fatos e materiais diversos. “São coisas feitas com poucos meios mas com muita vontade. Temos de ser polivalentes e gostar muito daquilo que fazemos”, assegura o orientador da visita. O material utilizado é muitas vezes reaproveitado, e até “os cortinados lá de casa servem para fazer os vestidos da Luísa Tody”.
Daí que o Museu do Trabalho se preocupe não só com o que mostra no seu espaço, entre quatro paredes, mas também com o que pode acrescentar à comunidade, através dos conhecimentos e materiais que o museu detém. Outros serviços, como a constituição de maletas pedagógicas, emprestadas às escolas para que façam elas próprias a aprendizagem dos seus alunos, o apoio a projectos de vários tipos, através da preparação de visitas, ateliers, etc., actividades como gincanas culturais, são diversos projectos que extrapolam as paredes do museu, mas que os seus responsáveis ainda consideram como suas funções. Este ano o museu está direccionado para viver as multiculturalidades existentes em Setúbal, através da organização de tardes mensais interculturais, onde há uma partilha entre o que o museu tem para oferecer e a comunidade que dá também a conhecer a sua cultura e os seus saberes. “Importa ir ao encontro dos públicos”, refere Luís Catalão.
Além disso, o Centro de Documentação, devidamente catalogado com revistas e livros sobre os temas de que o museu trata de uma forma geral, permite dar apoio a investigadores que, muitas vezes, recorrem ao espólio do museu, tendo havido já diversos estudos elaborados tendo por base esta documentação.
No Serviço Educativo do museu, numa pequena sala cheia de bonecos, cenários e materiais, trabalham quatro pessoas: um animador sócio-cultural, duas educadoras e uma técnica de património. Estas pessoas fazem um pouco de tudo, quer montar histórias ou exposições, como construir fatos e materiais diversos. “São coisas feitas com poucos meios mas com muita vontade. Temos de ser polivalentes e gostar muito daquilo que fazemos”, assegura o orientador da visita. O material utilizado é muitas vezes reaproveitado, e até “os cortinados lá de casa servem para fazer os vestidos da Luísa Tody”.
O espaço que não se vê
“Tão importante ou mais importante que o espaço expositivo é o espaço da retaguarda”, palavras de Luís Catalão. O armazenamento das peças, o espaço para guardar as diferentes exposições e a sua correcta preservação torna-se muitas vezes o maior problema de um museu, principalmente naqueles que não têm fundos ilimitados. Além disso, importa ter alguma atenção com os materiais produzidos pelo museu para a sua divulgação, expositores, placares informativos, etc.
Não podemos, por isso, estar apenas preocupados com o que se produz, mas também com o seu acondicionamento, para que não existam gastos excessivos ou redobrados em orçamentos já de si limitados, algo a ter em conta na promoção de trabalhos ou exposições que exijam material de grande porte.
Colaboradores "emprestados"
O Museu do Trabalho tem a possibilidade de colaborar com outros museus municipais, ganhando também com esses protocolos. Além das parcerias de empréstimo de materiais e exposições completas, os próprios técnicos de documentação do Museu de Setúbal, por exemplo, ou os trabalhadores das diferentes áreas na autarquia, como os carpinteiros ou electricistas, dão uma ajuda naquilo que é necessário no Museu do Trabalho.
Se estes “empréstimos” diversificam o trabalho dos técnicos e permitem colmatar as faltas existentes nos diferentes espaços, aproveitando ao máximo os recursos humanos da autarquia, também estão, por consequência, limitados àquilo que podem fazer, quer a nível das suas próprias competências, como às restrições de tempo e trabalho que este formato apresenta.
No entanto, tal como já foi referido anteriormente, esta é uma situação que se pode encontrar praticamente em todos os locais de trabalho, onde a polivalência e a técnica do “faz-tudo” permitem que um número pequeno de pessoas esteja directamente ligado a um espaço de trabalho.
Gestão do Património
Luís Catalão chamou-nos a atenção para a necessidade de ter muito cuidado na gestão destes patrimónios. Além das peças detidas pelo museu, que devem estar muito bem inventariadas e registadas, esse registo ganha ainda uma maior importância no caso de doações ou empréstimos. É um trabalho de escritório, “de interiores”, mas que pode significar a boa ou má gestão de um espaço museológico.
Fábrica - O Espaço
O modo como as exposições estão organizadas reflecte a necessidade de adaptação de um espaço que não era, na sua origem, direccionado para receber um museu. Pelas características que apresenta, o mais sensato terá sido recriar no grande “open space” da fábrica a própria fábrica, através da exposição de ferramentas, máquinas, materiais, bonecos a personificar as trabalhadoras e máquinas explicativas de todo o processo litográfico. Desta forma, a fábrica permaneceu na fábrica, trazendo até aos visitantes a possibilidade de verem todos os passos “da lota até à lata”.
No espaço amplo, é necessário referir apenas que a zona reservada à mostra de litografias é um pouco exígua e esconde a parte eléctrica do museu, onde podemos tropeçar nalguns fios menos escondidos. Para descer a esse piso térreo é necessário utilizar as escadas, ou o elevador, que se encontrava, ao momento, fora de serviço, o que tornaria a mobilidade muito reduzida para quem necessitasse de o utilizar.
No espaço amplo, é necessário referir apenas que a zona reservada à mostra de litografias é um pouco exígua e esconde a parte eléctrica do museu, onde podemos tropeçar nalguns fios menos escondidos. Para descer a esse piso térreo é necessário utilizar as escadas, ou o elevador, que se encontrava, ao momento, fora de serviço, o que tornaria a mobilidade muito reduzida para quem necessitasse de o utilizar.
A Mercearia Liberdade
“Foi uma prenda que nos caiu no colo!”, afirma Luís Catalão, ao referir-se à Mercearia Liberdade. Obra do acaso, a mercearia doada, e todo o seu recheio, trouxeram ao museu uma mais-valia que importa salientar. Ter a possibilidade de ver exactamente como funcionava uma antiga mercearia, poder ver os pesos, as medidas, a forma como se cortava os produtos, as antigas embalagens, a forma como se dispunham nas prateleiras e montras, os documentos de contabilização dos gastos, transforma o museu num espaço de aprendizagem por excelência, permitindo uma vivência mais directa com um trabalho de um passado ainda recente. Sempre que há a possibilidade de criar toda uma realidade num museu, isso traz-lhe motivos de interesse que fazem a diferença e devem ser impulsionados e transformar-se em chamariz para o mais que o museu oferece.
Não servindo particularmente como exemplo, porque obviamente não estou ao corrente de tudo o que acontece e aparece de novo nos museus por todo o país, antes desta visita desconhecia por completo a existência de um espólio como este, transplantado na totalidade para o espaço museológico. Deveria ser utilizado como exemplo do que pode ser feito nos museus que tratam dos assuntos mais diversos, apreciado e divulgado pelas características únicas que apresenta. Além do grau de interesse para qualquer pessoa que se dirija ao museu, este é um espaço de aprendizagem que funciona na perfeição para crianças e adolescentes que não tiveram já a oportunidade de ver uma mercearia como esta funcionar na realidade. No caso da mercearia do Museu do Trabalho, o pormenor vai até às ratoeiras no armazém ou ao chupas da montra comprados pela vereadora da cultura, no interesse de fazerem os possíveis para que o local ficasse o mais próximo da realidade que fosse possível. Este é um aspecto a ter em conta na elaboração, organização e promoção de um museu, que pretende exemplificar os assuntos que trata da melhor forma exequível.
Não servindo particularmente como exemplo, porque obviamente não estou ao corrente de tudo o que acontece e aparece de novo nos museus por todo o país, antes desta visita desconhecia por completo a existência de um espólio como este, transplantado na totalidade para o espaço museológico. Deveria ser utilizado como exemplo do que pode ser feito nos museus que tratam dos assuntos mais diversos, apreciado e divulgado pelas características únicas que apresenta. Além do grau de interesse para qualquer pessoa que se dirija ao museu, este é um espaço de aprendizagem que funciona na perfeição para crianças e adolescentes que não tiveram já a oportunidade de ver uma mercearia como esta funcionar na realidade. No caso da mercearia do Museu do Trabalho, o pormenor vai até às ratoeiras no armazém ou ao chupas da montra comprados pela vereadora da cultura, no interesse de fazerem os possíveis para que o local ficasse o mais próximo da realidade que fosse possível. Este é um aspecto a ter em conta na elaboração, organização e promoção de um museu, que pretende exemplificar os assuntos que trata da melhor forma exequível.
Contexto e Actividade Desenvolvida
Sedeado numa antiga fábrica de conservas de peixe, a Fábrica Perenes, o Museu do Trabalho Michel Giacometti, partiu de um movimento de serviço cívico estudantil orientado pelo etnomusicólogo Michel Giacometti, que orientou os alunos para a recolha de materiais e objectos diversos sobre as principais actividades levadas a cabo no concelho de Setúbal.
Com cerca de 1200 peças encaixotadas, entre as quais alfaias, ferramentas e outros instrumentos utilizados na faina agrícola, para além de registos sonoros de dizeres e ensinamentos populares, o museu foi criado em 1987, tendo passado para a antiga fábrica de conservas, adaptada para receber exposições, em 1995, numa requalificação do arquitecto Sérgio Dias com o apoio ao nível da museologia da directora do museu, Isabel Victor, Fernando António Baptista e Ana Duarte.
O edifício é constituído por cinco andares com diversos espaços de exposição, sendo um deles a própria reconstituição da fábrica. Integrado num antigo bairro de pescadores e salineiros, nele moravam também as operárias da indústria conserveira que aqui trabalhavam.
Já depois de estarem na actual localização, entrou-lhes um dia um senhor no museu a oferecer uma mercearia completa, com todo o seu recheio, que ía ser destruída na Avenida da Liberdade, em Lisboa. Os responsáveis do museu não se fizeram rogados e retiraram todo o recheio, desde montras, estruturas e antigos instrumentos.
Nas instalações, além da mercearia, estão albergadas outras duas exposições permanentes: “A Indústria Conserveira – Da lota à lata” e “Mundo Rural”, a colecção etnográfica de Michel Giacometti e génese do museu.
Luís Catalão, animador socio-cultural e um dos responsáveis do Serviço Educativo do museu, acompanhou-nos na visita às diversas exposições, para além das instalações dos vários departamentos que o constituem.
Com cerca de 1200 peças encaixotadas, entre as quais alfaias, ferramentas e outros instrumentos utilizados na faina agrícola, para além de registos sonoros de dizeres e ensinamentos populares, o museu foi criado em 1987, tendo passado para a antiga fábrica de conservas, adaptada para receber exposições, em 1995, numa requalificação do arquitecto Sérgio Dias com o apoio ao nível da museologia da directora do museu, Isabel Victor, Fernando António Baptista e Ana Duarte.
O edifício é constituído por cinco andares com diversos espaços de exposição, sendo um deles a própria reconstituição da fábrica. Integrado num antigo bairro de pescadores e salineiros, nele moravam também as operárias da indústria conserveira que aqui trabalhavam.
Já depois de estarem na actual localização, entrou-lhes um dia um senhor no museu a oferecer uma mercearia completa, com todo o seu recheio, que ía ser destruída na Avenida da Liberdade, em Lisboa. Os responsáveis do museu não se fizeram rogados e retiraram todo o recheio, desde montras, estruturas e antigos instrumentos.
Nas instalações, além da mercearia, estão albergadas outras duas exposições permanentes: “A Indústria Conserveira – Da lota à lata” e “Mundo Rural”, a colecção etnográfica de Michel Giacometti e génese do museu.
Luís Catalão, animador socio-cultural e um dos responsáveis do Serviço Educativo do museu, acompanhou-nos na visita às diversas exposições, para além das instalações dos vários departamentos que o constituem.
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